Internautas arrecadam R$ 11 mil para ajudar motorista de app e esposa

Esposa de Renato Santos foi diagnosticada com câncer de mama em outubro de 2021, e ele passou a fabricar trufas para ajudar na renda

Ao aceitar pegar a corrida de Gilberto Eduardo, 20 anos, o motorista de aplicativo Renato Santos, 38, não tinha ideia da importância que aquele momento teria em sua vida. “Ele foi um anjo, não tenho nem palavras para descrever como estou feliz”, diz Santos.

Criador de conteúdo, Gilberto se comoveu com o cartaz que pedia contribuições para o tratamento de câncer da esposa de Renato, Acácia, 39, e compartilhou uma imagem nas suas redes sociais. Apenas um dia depois, nessa quarta-feira (22/6), R$ 11 mil já foram arrecadados. O valor foi tão maior do que o esperado que o motorista pôde quitar as contas da casa e pretende dar entrada em um carro.

Desempregado e trabalhando apenas como motorista de aplicativo em Aracaju (SE), Renato chegava em casa à noite para fabricar trufas de chocolate artesanais e vender em seu carro. Por R$ 2 a unidade, ele precisava totalizar R$ 900 para ao menos pagar o valor de uma ressonância para Acácia.

Ela foi diagnosticada com câncer de mama em outubro de 2021, já em estágio avançado. “Foi um baque, uma notícia dessa. Eu desempregado, ela também. Começamos a luta, procuramos o SUS. Mas, quando demos entrada e fizemos os encaminhamentos, ela teve de ficar 18 dias sem o medicamento, porque não tinha”, relembra Renato.

Desde então, Acácia já passou por 16 sessões e perdeu 23kg. Há 22 dias, ela retirou a mama direita.

Trufas

Sem a renda da esposa, que trabalhava como professora, e com custos adicionais para lidar com a doença, Renato conta que passou dias em busca de uma solução para ajudar com as finanças. Decidiu, então, começar a vender trufas artesanais.

“Ela parou de trabalhar, sente muitas dores no corpo, então sou eu sozinho para tudo”, lamenta. “Uber é difícil, tem dias que dá, outros que não e gasolina cada dia mais cara.”

Todos os dias, Renato sai de casa, em Itaporanga, a 28 km de Aracaju, e vai à capital trabalhar como motorista de aplicativo. Perto das 22h, ele retorna para casa, e começa a fabricar as trufas de chocolate. Em seu carro, ele colocou uma plaquinha no banco de trás:

“Venho aqui incomodar vocês por um só motivo. Minha esposa foi diagnosticada com câncer e a situação está muito difícil. Por isso, ofereço a vocês meu simples produto, que é (sic) trufas para nos ajudar por apenas R$ 2 a unidade, ou R$ 5 por três. Desde já agradeço a todos. Deus abençoe aos que puderem e aos que não puderem também, muito obrigado a todos.”

“Um anjo na minha vida”

Gilberto conta que trabalha fazendo a cobertura de shows em seu estado e pediu uma corrida para o interior. “Assim que eu entrei no Uber, no banco de trás, eu vi a plaquinha pendurada e me comovi com a história”, diz Gilberto.

“Eu já logo pedi três trufas por R$ 5, achei superbarato. Fui batendo um papo com ele, perguntando se ela estava bem, aí ele foi me contando que ela tinha câncer de mama. Eu não aguentei, fiquei com o coração muito apertado, porque eu não podia fazer nada, também não tenho as melhores condições de vida.”

Ele decidiu buscar ajuda nas redes, onde tem um grupo fiel de seguidores. Pouco mais de um dia depois, a publicação já tinha alcançado 95 mil pessoas, e a arrecadação chegou a R$ 11 mil.

“Ele avisou a ela, ele ligou para avisar quando bateu a meta de R$ 900 e ela chorou, ele chorou muito de alegria”, conta Gilberto.

“Não consegui dormir essa noite, porque começamos ontem e eu nunca imaginei me sentir tão bem”, fala Renato. Ele conta que, com o valor adicional, conseguiu pagar água, luz, fez uma compra na feira e pretende dar entrada em um carro, pois trabalha em um veículo alugado atualmente.

“Não tenho nem o que dizer… vou ficar devendo minha vida a ele”, diz Renato sobre Gilberto. O criador de conteúdo, por outro lado, afirma que não se sente bem com os elogios que vem recebendo do público.

“Eu entendo que fiz uma boa ação, mas, para mim, qualquer pessoa que estivesse ali atrás, sentado no banco do passageiro, ouvindo a história dele, qualquer pessoa eu acho que faria o que eu fiz”, finaliza.

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Fonte: https://metropoles.com
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